Se você acompanha o mercado financeiro, certamente já está por dentro da grande oportunidade que o mercado de fintech representa. Essas startups entraram no setor há pouco mais de cinco anos e estão revolucionando toda a nossa relação com o dinheiro. Atualmente, as fintechs no Brasil estão divididas nos seguintes segmentos:

  • pagamentos e remessas;
  • empréstimos (para empresas ou pessoas físicas);
  • gestão financeira empresarial;
  • gerenciamento financeiro pessoal;
  • crowdfunding;
  • tecnologia para inteligência financeira;
  • scoring, ID e fraudes;
  • seguros;
  • gerenciamento de riquezas, mercado e trading
  • bancos digitais.

Para os empreendedores, não há momento melhor para pensar em abrir um negócio nesse ramo. Aqui no blog, já falamos sobre o crescimento das fintechs. Hoje vamos nos concentrar mais nos passos iniciais, para você entender como começar uma fintech do zero.

A primeira coisa que você precisa ter em mente é que as Fintechs têm um foco muito grande no interesse do consumidor. O grande objetivo é dar acesso ao sistema financeiro à parcela desbancarizada da população. Só no Brasil, ela corresponde a cerca de metade de todos os habitantes do país.

Outro grande mercado das fintechs são pessoas para quem o mercado financeiro tradicional não tem soluções que atendam bem.

1. Identifique um problema que precisa ser resolvido

Grande parte das inovações que vemos no mercado financeiro são as chamadas inovações incrementais. Você pode entender melhor esse conceito no livro The Innovator’s Dilemma, do professor de Harvard Clayton Cristensen, ou no vídeo abaixo, que traz os pontos fundamentais do livro:

Esse tipo de inovação é realizada quando um novo atributo é acrescentado a um produto ou serviço já existente, tornando-o melhor do que sua versão anterior. No caso das fintechs, isso significa que essas empresas analisaram o mercado e identificaram o que não ia bem.

A partir daí, formularam um problema que precisava ser resolvido e pensaram em uma inovação capaz de oferecer uma resposta. Sempre vale ressaltar que esse problema tem que ser visto do ponto de vista do consumidor.

Aqui, a metodologia do Human Centered Design ajuda muito. Essa metodologia parte das pessoas para quem você está projetando um serviço e tem como ponto de chegada uma solução para uma necessidade dessas pessoas. É a lógica inversa de você ter uma ideia de negócio e, posteriormente, encontrar o público que será o consumidor dessa empresa.

No Human Centered Design, o ser humano é o centro de todas as ações, porque é ele quem precisa dos serviços e vai contratar a sua empresa para resolver suas questões. E é isso que você deve fazer ao trilhar o caminho de como começar uma fintech.

Para identificar qual é a real necessidade das pessoas, vá para a rua, faça pesquisas, entenda o que de fato está faltando para o seu público-alvo, veja o que eles gostariam e que ainda não existe no mercado.

Além disso, nessa etapa do processo é essencial pensar de forma criativa. Como é possível pegar o que já existe e torná-lo mais simples, mais eficiente e abrangente para mais pessoas? A resposta a essa pergunta é um bom ponto de partida para que você comece a pensar no seu modelo de como começar uma fintech.

2. Crie valor ao começar uma fintech

Toda empresa, no nosso sistema econômico, deve ter o objetivo de gerar lucro. Mas movimentar dinheiro é diferente de gerar valor. No mercado atual, para ter sucesso, uma empresa precisa entregar para o público consumidor mais do que o serviço que ela oferece.

A empresa precisa gerar um valor real para os seus clientes e para a sociedade. Normalmente, esse valor é algo abstrato, que não pode ser quantificado nem vendido isoladamente, mas que faz toda a diferença na vida das pessoas que usam a empresa.

Ficou confuso?  Você provavelmente vai entender melhor com este  exemplo (fora do universo fintech): em seus parques temáticos, a Disney oferece aos seus clientes mais do que entretenimento. Ela oferece a realização de sonhos, a ideia de uma infância eterna, a possibilidade de viver em um mundo perfeito por pelo menos um dia.

No universo fintech, o Nubank, por exemplo, oferece mais do que somente o cartão de crédito. Ele oferece simplicidade e também um atendimento ao cliente personalizado e eficiente. Citando mais um exemplo das fintechs, a Transferwise oferece mais do que câmbio mais barato.

Eles oferecem o rompimento de barreiras políticas e geográficas por meio da transferência de dinheiro — afinal, com a possibilidade de fazer câmbio de maneira descomplicada e totalmente online, o sonho de ser nômade digital torna-se um pouco mais real.

Esses são valores reais e perceptíveis pelo cliente que estão relacionados diretamente ao negócio, mas não constituem a atividade fim da empresa. Novamente, o centro do processo está no ser humano e em suas necessidades.

O cliente precisa perceber um valor real que será gerado para ele ao contratar os serviços da sua empresa, em vez de preferir o concorrente. Faça um benchmarking em empresas do setor e em outras companhias inovadoras para entender melhor como oferecer mais do que um simples serviço.

Se você ficou curioso sobre essa questão da geração de valor e quer entender um pouco mais, basta assistir a esse vídeo curtinho que selecionamos:

3. Simplifique o processo

Um dos pontos-chave das fintechs é a simplificação dos processos e a desburocratização. O sistema financeiro tradicional é cheio de etapas pouco claras para o consumidor e exigem um esforço enorme para que algumas tarefas aparentemente simples — como um pagamento via cartão de crédito — sejam realizadas.

As fintechs chegaram para revolucionar essa maneira de fazer as coisas e tornar os processos mais transparentes, mais curtos e realmente mais simples. Atualmente, pela NuConta, é possível fazer um depósito na sua conta corrente por meio de um boleto gerado sem custos pelo celular. Uma simplicidade que nem passava pela nossa imaginação cerca de cinco anos atrás.

Outras fintechs facilitaram processos em outros segmentos. É o caso da Gyra+, que chegou ao mercado simplificando o crédito para profissionais. A empresa faz toda a análise da reputação do cliente através do rastro do empresário online, e o crédito é liberado em até 72h. Todo o processo é feito pela internet e sem a necessidade de apresentar uma pilha de documentos.

A iZettle facilitou o acesso de pequenos empreendedores — muitos MEI — ao oferecimento do cartão de crédito e débito como forma de pagamento. O empreendedor compra a sua máquina de leitura do cartão iZettle e registra-se na plataforma.

Quando as vendas são realizadas, o dinheiro cai na conta dentro da plataforma. Depois, é só transferir para a conta no banco — tudo pela internet e feito de forma simples e intuitiva. É exatamente essa simplificação dos processos o grande mérito das fintechs.

Portanto, um ponto de partida de como começar uma fintech é ter um modelo de negócio baseado em um processo simples para o consumidor. O ideal é que as operações possam ser feitas pelo celular, uma vez que o aparelho já se tornou o principal meio de acesso à internet no Brasil — e a tendência é que esse movimento ocorra no mundo todo.

O movimento está sendo chamado de “mobile first” e, para navegá-lo, é interessante pensar em soluções que sejam funcionais primeiro na plataforma móvel e, em segundo lugar, no computador.

É claro que essa premissa do mobile first não poderá ser adotada em todos os segmentos — pelo menos por enquanto. Mas é importante que as pessoas que desejam investir em uma fintech tenham isso em mente, pois esse é um futuro que já está muito próximo.

4. Fique por dentro da regulamentação

Desde nossa entrada na indústria 4.0, as esferas oficiais pararam de conseguir acompanhar todas as transformações sociais. É por isso que ainda não existem muitas leis para lidar com as questões relativas às fintechs.

Mas algumas coisas já começam a surgir. Em abril de 2018, o Banco Central emitiu uma regulamentação que afetou diretamente as fintechs de crédito, desobrigando-as a atuar junto com uma financeira tradicional.

O Banco Central, aliás, tem estado mais ativo do que nunca, de olho no setor. A tendência é que daqui para diante comecem a surgir novas definições para regulamentar as fintechs. Acompanhe as atualizações diretamente na página dedicada às financeiras tecnológicas no site do BC.

5. Estude os possíveis parceiros

Os parceiros estratégicos são um grande ativo do empreendedor, principalmente quando ele está entrando em um setor de grande inovação. Pense em parceiros que queiram não só investir em fintech, mas que também cumpram outras funções estratégicas na sua empresa.

Por exemplo, ter parceria com universidades pode ser muito interessante do ponto de vista institucional e para dar peso científico à sua ideia, por exemplo. Já a parceria com instituições que fomentam o empreendedorismo, como o Sebrae, incubadoras e aceleradoras pode auxiliar você a encontrar soluções para problemas que o seu negócio enfrentará no começo.

Para facilitar a visualização dessa rede de parceiros, uma sugestão é que você faça um Canvas cobrindo apenas esse aspecto da empresa. Desenvolva o seu próprio modelo e coloque no diagrama o tipo de parceiro que você precisa para a sua empresa e o tipo de relação que ele terá com a organização.

Depois, vá atrás de nomes reais que possam preencher essas lacunas no seu planejamento. Após traçadas essas etapas iniciais sobre como começar uma fintech, é hora de colocar a mão na massa e começar o planejamento para tirar as ideias do papel.

Faça o seu plano de negócios estabelecendo o modelo que a empresa seguirá em suas operações e faça um protótipo ou uma versão beta do produto para testar com um público reduzido. Ajuste o que for necessário e esteja pronto para muito trabalho e para superar os desafios que você terá pela frente!

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