Praticamente todo o mundo que tem o mínimo interesse em economia, investimentos ou mercados financeiros já ouviu falar em Bitcoin. A cripto moeda em 2020 teve um ano magnífico, valorizando mais de 300% no decorrer do ano. 

O que é o bitcoin

Bitcoin é a primeira criptomoeda descentralizada. Falo descentralizada pois ela não passa por nenhum sistema centralizado de bancos. As transações ocorrem em uma rede segura e descentralizada baseada no blockchain. 

O blockchain é uma espécie de livro-diário, no qual todos os computadores da rede fazem parte e validam as transações, que nele ficam gravadas de forma definitiva e sem possibilidade de modificação. 

Lançada no início de 2009 por seu criador pseudônimo Satoshi Nakamoto, Bitcoin é a maior criptomoeda do mundo quer em capitalização de mercado, quer em quantidade de dados armazenados. 

Apenas 21 milhões de bitcoins serão criados. Novas moedas são cunhadas a cada 10 minutos por mineradores de bitcoin que ajudam a manter a rede adicionando novos dados de transação ao blockchain.

Evolução do preço do bitcoin em 2020

Se os mais de 300% de valorização que referi no primeiro ponto lhe parecem pouco, vou-lhe dar mais alguns dados, pois a moeda viu seu mínimo cair abaixo de 5 mil USD, mas terminou o ano em alta, batendo os U$ 28.000 (dólar americano). 

Tudo isso aconteceu num ano onde se via um alastrar da pandemia do COVID19 e com eleições tumultuosas nos EUA à mistura. O Bitcoin foi resistindo a tudo isso e foi o ano em que as primeiras pedras da aceitação de grandes grupos financeiros começaram a ser assentadas.  

Por todas estas razões, 2020 será um ano essencial no percurso desta cripto moeda e que ficará para os historiadores económicos relembrarem no futuro. 

Razões para o crescimento 

O medo da pandemia

Em março, o mercado sentiu um forte impato causado pelo coronavírus. O medo, insegurança e dúvida foram nomeadamente sentidos no dia 12 de março, onde o preço da moeda caiu quase 40% em apenas um dia. 

Em abril a resposta veio na forma de triliões de dólares em forma de estímulo à crise que o vírus já se ia fazendo sentir. Valores que foram ‘despejados’ pela reserva federal americana, o banco central europeu, o banco do japão e outras entidades pelo mundo fora. 

A confiança começou a aumentar e tais medidas deram resultado, pelo que no final de abril o Bitcoin estava de novo a bater os U$ 8,500. 

Pontos chave para o crescimento: 

A partir daqui, os pontos chave que irei relatar fizeram o mercado adotar um sentimento maioritariamente ‘bullish’ que continuou até ao final de 2020. 

No início de maio, o bilionário e gestor de fundos Paul Tudor Jones indicou que a cada dia que passava que a confiança em relação ao Bitcoin aumentava e que ele próprio tinha cerca de 2% dos seus ativos nessa moeda. 

Em agosto, outro ponto chave foi a MicroStrategy Incorporated, que é a maior empresa de inteligência artificial do mundo, ter comprado U$ 425 milhões em Bitcoin. 

Eles afirmaram ver a moeda digital como “um hedge razoável contra a inflação”, e tornaram-se a primeira empresa pública e listada em bolsa – na Nasdaq – que anunciou a compra de Bitcoin como estratégia de reserva. 

Em outubro foi a vez da Square, Inc., uma reputada empresa na gestão de pagamentos, investir U$ 50 milhões em Bitcoin, defendendo que a visão que assenta na descentralização da Bitcoin é similar à visão e propósito da própria empresa.  

Ainda em outubro, um outro passo importante, quando a gigante Paypal, com mais de 350 milhões de clientes no mundo todo, também anunciou suporte ao Bitcoin e outras criptos.

Em 2021, os clientes da empresa começaram a poder comprar, vender e manter moedas digitais dentro da plataforma, utilizando tais fundos para comprar aos 26 milhões de comerciantes que têm paypal integrado. 

Em novembro, o investidor e bilionário Stanley Druckenmiller admitiu publicamente deter Bitcoin. Mesmo mostrando algumas dúvidas sobre esse ativo e sua segurança para o futuro, o fato de admitir a sua compra, foi o suficiente para ajudar o mercado a dar mais um boost em alta. 

De outubro a dezembro a narrativa do bitcoin como “ouro digital” começou a ser amplamente utilizada. Vários especialistas, alguns deles anteriores críticos da moeda, começaram a fazer comentários de maior aceitação em prol da moeda digital. 

Estávamos a assistir à mudança do paradigma do Bitcoin enquanto ativo que já não era apenas um recreio mas sim passou a constar no mainstream dos investimentos à escala global. 

O futuro?

O futuro vai-se escrevendo todos os dias, e tem certos dias que novos recordes são batidos. Um deles, é considerado outro marco na adoção de Bitcoin por grandes empresas mundiais. 

Neste caso, foi a Tesla que comprou U$ 1.5 biliões em Bitcoin no inico de fevereiro de 2021. Além dessa compra, a empresa gerida por Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, anunciou ainda que iria começar a aceitar a moeda como pagamento dos seus veículos elétricos. 

O resultado foi o preço do Bitcoin ter disparado para novos recordes de U$ 47.000 poucas horas após esse anúncio. 

Até à data da escrita deste artigo, o preço já tinha batido os U$ 52.000 

Muitos especialistas já estão escrevendo que até ao final de 2021, o preço do Bitcoin pode até chegar aos U$ 100.000. Outros são ainda mais otimistas, divulgando que as metas dos U$ 300.000 podem ser quebradas. 

Mas enquanto a fama e o preço, continuam a crescer, alguns outros analistas afirmam que com a Bitcoin a subir deste jeito sem suporte, irá colapsar e confirmar que é um ativo extremamente volátil. 

Depois do grande ano que foi 2020, o ano de 2021 começa de um jeito muito promissor, por isso não se pode negar que há uma expectativa forte para o que a primeira cripto moeda do mundo pode alcançar. 

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