As Fintechs foram consideradas uma ameaça para 76% dos bancos, segundo pesquisa realizada pela PwC, chamada “Customers in the spotlight – How FinTech is reshaping banking”. Ou seja, três em cada quatro instituições bancárias estão preocupadas com o crescimento das Fintechs.

Mas será que elas são realmente uma ameaça? Você saberia dizer quais são as diferenças entre os bancos tradicionais e as Fintechs?

Vamos entender melhor quais brechas os bancos abriram para que essas empresas pudessem entrar e quais as vantagens e desvantagens das startups do mercado financeiro.

Diferenças entre bancos e Fintechs

Fintechs são mais ágeis

Agilidade. Essa é uma das palavras mais citadas por profissionais de bancos tradicionais ao se referirem às Fintechs.

Enquanto as Fintechs se movimentam como um barco a vela, de forma fluida e ágil, os bancos são como transatlânticos: qualquer leve mudança de rumo demanda uma grande operação, que envolve várias pessoas, departamentos e processos enraizados.

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Fintechs investem em base tecnológica

As Fintechs investem pesado em base tecnológica. Assim, elas conseguem fazer mais por menos.

Ao utilizar a tecnologia para descomplicar processos internos, as fintechs reduzem a necessidade de espaço, já que uma operação 100% online demanda uma estrutura física menor. Os recursos humanos também são mais enxutos, graças à automação.

Por possuírem estruturas menores, as startups financeiras conseguem mirar problemas específicos com mais facilidade e resolvê-los.

As Fintechs são inteligentes porque fazem mais com menos, desenvolvem solução de crédito que pode ser contratada integralmente pela internet, delineiam produtos que atendam à necessidade do cliente e não apenas de acionistas.

Fintechs são mais amigáveis

As Fintechs possuem uma comunicação mais descontraída e amigável, seja no site da empresa, no e-mail, no atendimento telefônico ou presencial.

Ser amigável é colocar-se no lugar do cliente e desenvolver processos, produtos e formas de acesso a esses produtos ajustadas à necessidade da pessoa.

Uma diferença que ressalta aos olhos é no processo de abrir uma conta. Para abrir uma conta em uma Fintech, o cliente só precisa de um smarthphone.

Nos bancos tradicionais, para abrir uma conta bancária, é necessário ir a uma agência munido de uma grande documentação que ainda é exigida.

Os bancos têm buscado investir em atendimentos online e em seus internet banking. Alguns até possibilitam que os clientes abram uma conta pelo aplicativo. Mas ainda estão longe de oferecer soluções de problemas de forma totalmente digital.

Outra grande diferença entre Fintechs e bancos está nas tarifas. Dados do Banco Central mostram que uma transferência do tipo DOC ou TED, realizada eletronicamente por pessoa jurídica, pode custar até 54,4% mais em um grande banco do que em uma conta digital oferecida por uma fintech (R$ 9,25 contra R$ 5,99).

Cultura Organização é diferente entre Fintechs e bancos

A cultura organização também é outra importante diferença entre os dois tipos de negócio. As startups de Fintech possuem estruturas organizacionais mais horizontais e com poucas barreiras à mudança.

Estas estruturas encorajam não apenas a inovação, mas a habilidade de se destruir algo e reconstruir do zero.

Outra diferença significativa entre grandes bancos e Fintech está nas pessoas. A equipe de uma startup está lá por um propósito. Eles estão juntos num mesmo trem e não são passageiros isolados sentados em seus vagões.

Uma startup nasce da constatação de um problema e as pessoas que nela trabalham compartilham de uma mesma visão, para gerar uma solução.

Já em um grande banco, as pessoas possuem pouca conexão com as visões e missões da instituição.  

Diferença Fintechs e bancos: quais as desvantagens?

Apesar de estarem despontando como promessa para os próximos anos, as Fintechs possuem algumas desvantagens em relação aos bancos tradicionais. A principal delas é a ausência de regulamentação sobre os seus serviços, o que as fazem buscar ajuda junto aos bancos.

Outro ponto que merece análise é que estamos falando de empresas novas e, como tal, inexperientes no mercado financeiro.

Outra desvantagem é o fato dos clientes dependerem de internet de boa qualidade, já que a proposta das fintechs é exclusivamente digital.

Resumindo

– Bancos: confiança, credibilidade, segurança, solidez, burocracia, processos lentos, preços altos.

– Startups Fintechs: experiência, simplicidade, agilidade, mobile, transparência, preços baixos.

Visão dos bancos sobre as Fintechs

Na visão do banco, startups são aquelas empresas “rompendo modelo de negócios”.

Uma analogia muito usada pelos profissionais de bancos é a do gorila e do urso. Diante de um enxame de abelhas (as fintechs), um gorila reagiria com violência, tentando matá-las e livrar-se delas. Um urso, por outro lado, tentaria outra abordagem, já que seus olhos estão no mel. Assim, cabe aos bancos decidir qual desses animais querem ser.

As Fintechs são consideradas pelos banqueiros como um desafio e uma oportunidade. Um desafio porque funciona como concorrente.  E uma oportunidade porque os bancos podem fazer parcerias e aprender com elas.

No Bradesco, por exemplo, existe uma da frente de inovação chamada inovaBRA que dá suporte para startups pré-selecionadas. Depois, elas podem eventualmente virar parceiras do próprio banco.

Nesta reportagem feita pelo Valor Econômico, especialistas ouvidos no Ciab 2017, maior feira de tecnologia bancária, dizem há um desafio em comum para os dois modelos de negócios.

Tem alguma outra diferença que você notou ao se tornar cliente de uma Fintech que não citamos aqui? Conta para a gente nos comentários.

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