O mercado de fintechs está mais aquecido do que nunca. Só no Brasil, segundo dados do mapeamento Radar Fintech Lab, são 453 startups focadas em soluções financeiras.

Um diferencial das fintechs é o fato de elas se concentrarem em uma única função, ou seja, enquanto algumas criam a melhor opção de conta bancária e cartão de crédito, outras focam na melhoria das etapas de solicitação de empréstimos empresariais.

Antes mesmo de entrarmos nos exemplos de fintechs, veja algumas áreas de atuação dessas startups:

  • Crédito pessoal e empresarial: a empresa facilita a solicitação de empréstimos, geralmente o pedido é todo feito online e com menos burocracias;
  • Conta bancária e cartão de crédito: os cartões não costumam ter anuidades e as contas possuem taxas mais baixas;
  • Investimentos: é possível realizar todos os tipos de investimentos via navegador ou aplicativo de celular com os menores custos;
  • Soluções em recebimentos: ajudam as companhias a planejar uma política de cobrança que seja adequada ao perfil de cada cliente;
  • Gestão financeira: a fintech auxilia pessoas físicas e até empresas a controlar seus gastos e gerenciar fluxo de caixa;
  • Bitcoin: é possível enviar transações em moeda para amigos e familiares usando o bitcoin;
  • Transferência de dinheiro: é possível realizar remessas internacionais de dinheiro com taxas muito abaixo das praticadas pelos bancos tradicionais.

No artigo “Fintechs: as startups financeiras que desafiam os bandos” mostramos os dados de crescimento desse novo setor. Hoje, iremos apresentar algumas fintechs que têm se destacado no mercado, em um movimento que só deve crescer nos próximos anos.

Nubank

Em maio de 2013, a Nubank foi lançada no mercado brasileiro como um cartão de crédito sem custo. A novidade, rapidamente, conquistou um público considerável – especialmente entre os mais jovens.

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No final de 2016, a empresa já tinha arrecadado mais R$ 600 milhões em cinco rodadas de investimentos.

Seguindo o projeto de expansão, a Nubank lançou uma conta corrente 100% digital que não cobra tarifas. Por essa conta, é possível transferir dinheiro para outros bancos e pagar boletos.

Problema: o Nubank surgiu com o propósito focado em resolver as dores dos clientes dos bancos tradicionais: ter que pagar tarifas e juros muito altos é uma delas.  Outro problema enfrentado por quem usa os bancos tradicionais é a burocracia, a papelada, as longas filas nas agências e as centrais de atendimento ineficientes.

Diferencial: o cartão de crédito da empresa ficou famoso pela ausência de anuidade e taxas mais baixas do que o padrão. Além disso, a empresa oferece um atendimento personalizado e 100% online. O objetivo do Nubank é acabar com a complexidade e devolver o controle da vida financeira para cada pessoa.

GuiaBolso

O GuiaBolso é outro exemplo de fintech. Ele começou a ser criado em 2012, sendo lançado em 2013 como um site no qual as pessoas colocavam seus gastos e ganhos e uma equipe especializada dava uma consultoria ao usuário.

Em 2014, o site do GuiaBolso foi lançado oficialmente. Por ele, a pessoa conseguia sincronizar suas contas bancárias. Em seguida, veio o aplicativo. No final daquele ano, a empresa já estava com 260 mil usuários.

Em 2016, a equipe do GuiaBolso começou a desenvolver a plataforma de crédito que possibilitou que milhares de pessoas saíssem de dívidas caras como cheque especial e cartão de crédito.

A fintech fechou o ano de 2017 com 3,8 milhões de usuários e R$ 215 milhões em cinco rodadas de investimentos.

Problema: os fundadores do GuiaBolso identificaram que um problema financeiro recorrente para as pessoas era o uso de cheque especial e cartão de crédito.

Diferencial: ao identificar o problema, a equipe do aplicativo resolveu criar uma plataforma para oferecer empréstimos com taxas de juros menores e com uma experiência 100% digital. Desde 2016, quando essa plataforma foi criada, o GuiaBolso já emprestou R$ 150 milhões.

Creditas

Criada em 2012, a Creditas é uma plataforma digital que atua como correspondente bancário para facilitar o processo de contratação de empréstimos.

Na área de empréstimos, a Creditas desponta como a grande representante. A empresa é a segunda maior Fintech brasileira em captação, contando com R$ 90 milhões em investimentos.

Em 2017, a startup recebeu um aporte de R$ 165 milhões, liderado pelo fundo de private equity sueco Vostok, no maior investimento no setor na América Latina naquele ano.

Problema: a empresa identificou que os processos para aquisição de empréstimos eram muito demorados, havia filas e nem sempre os clientes tinham o seu perfil aprovado.

Diferencial: para resolver esses problemas, a Creditas passou a utilizar a tecnologia para oferecer crédito mais barato, tomando imóveis ou veículos como garantia.

Em troca, cobra taxas de juros a partir de 1,15%, inferiores inclusive às praticadas para o financiamento com desconto em folha de pagamento, o consignado, uma das mais baixas do mercado.

A Creditas consegue oferecer esses juros baixos por ser um makerting place e obter recursos de fontes diferentes.

TrustHub

Apresentada ao mercado em novembro de 2017, a TrustHub aposta no crédito para pequenas empresas. A startup lançou uma plataforma 100% online, em que o MEI, o micro e o pequeno empresário consegue acessar e ter direito ao crédito.

A TrustHub é um braço da gestora de recursos de terceiros SRM, uma asset multinacional com 20 escritórios espalhados por Brasil, Chile e Peru. A empresa possui uma base de 10 mil clientes, sendo que de 3 a 5 mil são ativos. A carteira é de R$ 1 bilhão em ativos, girados de cinco a seis vezes por ano.

Até abril deste ano, a TrustHub já tinha liberado mais de R$ 20 milhões em crédito para PMEs, apenas com desconto de duplicatas.

Neste ano de 2018, a fintech entrou no mercado de subadquirência, com o lançamento do selo TrustPay, composto por um equipamento de checkout “bank in a box” e por três modelos de maquininhas para recebimento de cartão.

A expectativa é que, com as operações realizadas nos novos equipamentos, esse valor supere os R$ 100 milhões até o fim do ano.

Problema: a TrustHub identificou que em micro e pequenas empresas, onde é difícil ter um capital de giro, conseguir um crédito para manter as operações pode ser a salvação para não fechar o negócio.

Diferencial: a startup trabalha com um procedimento que analisa o perfil e deposita o valor na conta do empresário em menos de duas horas, de maneira 100% digital e online.

Square

O Square é de longe um dos exemplos de fintechs de  meios de pagamento mais inovador de todos os tempos. Fundado por Jack Dorsey (fundador do Twitter) em 2009, o Square parecia estrear um “case” de mercado de pagamentos infalível. Empresas como iZettle, Paypal, Tapingo foram atrás dessa inovação, lançaram serviços similares e até copiaram alguns lançados pela startup baseada no Vale do Silício.

Este minúsculo hardware vem mudando o processamento do cartão de crédito nos últimos anos. Pequenas empresas agora têm o poder de fazer uma venda em qualquer lugar simplesmente conectando um cartão de crédito em seu smartphone e cobrando de seu cliente no ponto de venda.

Problema: algumas pessoas saem de casa para dar um passeio, mas não levam dinheiro suficiente e nem cartão. Ao se deparar com algo do seu interesse, muitas vezes, não conseguem fazer a compra na hora por não ter como pagar. Com o Square, o pagamento é realizado por meio de um aplicativo no smartphone, que está sempre à mão nos dias atuais.

Diferencial: o hardware Square permite que lojas de varejo e restaurantes aceitem pagamentos através de dispositivos móveis, como no caso de iPads, iPhones ou dispositivos Android.

No entanto, a empresa está com dificuldades de se estabelecer no mercado já que a aderência ao pagamento via aplicativo ainda é incipiente.

TransferWise

A TransferWise nasceu de uma frustração. Taavet Hinrikus e Kristo Käärmann são dois amigos que acreditam que o dinheiro foi feito para fluir livremente. Contudo, com a ausência de uma moeda global, isto não acontece.

Taavet trabalhava para o Skype na Estônia e era pago em euros, embora vivesse em Londres, e Kristo trabalhava em Londres, mas tinha uma hipoteca em euros na Estônia. Foi então que eles idealizaram um esquema simples.

Todos os meses eles verificavam o câmbio médio de mercado no Reuters para encontrar o câmbio verdadeiro – e enquanto o Kristo transferia as suas libras para conta do Taavet no Reino Unido, o Taavet transferia a quantia equivalente para a conta do seu amigo em euros.

Ambos obtinham a quantia necessária e nenhum deles dava um centavo para as taxas ocultas cobradas pelos bancos. Foi assim que surgiu a TransferWise.

Os bancos definem os próprios câmbios para lucrarem ainda mais. Já a TransferWise oferece o câmbio verdadeiro, também conhecido como câmbio comercial.

A TransferWise elimina todas essas injustiças, permitindo que as pessoas enviem dinheiro para o exterior com o menor custo possível. Usando apenas o câmbio verdadeiro e pequenas comissões, sempre explícitas, eliminando assim as dores de cabeça.

Realizando as transações pelo TransferWise, o usuário é notificado via email a cada estágio da sua transferência. Ele também pode acompanhar a sua transferência através de aplicativo e website. Atualmente, a fintech conta com mais de 4 milhões de clientes.

Problema: transferir dinheiro para o exterior é caro, e às vezes não é muito oportuno.

Diferencial: o TransferWise pode economizar até 90%, eliminando todas as taxas bancárias ocultas.

Quod

As fintechs estão tão em alta que estão obrigando os bancos a se inovarem e, até mesmo, a entrarem nesse mercado. Um exemplo foi a união dos principais bancos brasileiros para criar uma fintech.

Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander se uniram na criação de uma empresa com foco na gestão de dados do Cadastro Positivo. A Quod é a marca utilizada no país pela Gestora de Inteligência de Crédito.

A proposta da fintech é disponibilizar produtos e soluções de controle de risco, prevenção a fraudes e análise de grandes volumes de dados, tanto para instituições financeiras quanto para as demais empresas que demandem informações sobre risco de crédito no dia a dia de suas operações.

Com isso, pessoas e companhias poderão ter maior conhecimento e controle de seus dados e de suas operações de crédito e pagamentos.

Os produtos e serviços fornecidos pela Quod combinam técnicas de big data, inteligência artificial e o uso de plataformas tecnológicas de ponta para transformar informações de histórico de pagamentos em inteligência, durante as etapas de tomada de decisão na concessão de crédito.

A criação da Quod representa um passo importante para promover o aperfeiçoamento do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e coloca em prática uma mudança de perspectiva nas políticas de concessão de crédito que vêm sendo utilizadas no Brasil ao longo de vários anos.

 

A revista Forbes fez uma lista das 50 fintechs que mais estão se destacando em 2018. Abaixo, estão as dez primeiras colocadas.

Veja a lista completa aqui.

O programa Mundo S/A da GloboNews visitou algumas fintechs, como Nubank, Geru, BKF e Biva, e mostrou como é o trabalho realizado por elas. A matéria completa você pode conferir no vídeo abaixo.

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