Para quem mora no Brasil e pensa em montar uma startup financeira, temos uma boa notícia: o cenário fintech na América Latina vive um momento promissor. Na Latam, o sistema financeiro tradicional é de difícil acesso, caro e pouco eficiente.

O resultado é mais de metade da população de 20 países desbancarizada, de acordo com dados do VI Congresso Latino-Americano de Inclusão Financeira. No México, Peru e na Colômbia, esse percentual é ainda maior, superior a 60%.

O foco das fintechs está voltado para atender o consumidor que busca inovações tecnológicas financeiras para suprir problemas que ele enfrenta hoje. Estamos falando aqui de pessoas físicas mal atendidas ou completamente excluídas do sistema financeiro, e também de pequenas e médias empresas que não têm serviços bancários servindo bem aos seus modelos de negócio.

Um outro grande foco das financeiras tecnológicas são aquelas pessoas para as quais o mercado tradicional não oferece soluções que atendam às suas necessidades. Os nômades digitais são um bom exemplo.

Em um contexto como esse, empreendedores que criam startups fintech têm um grande potencial de crescimento em pouco tempo.

Segmentos das fintechs na América Latina

De acordo com um levantamento realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com a organização de aceleração de fintechs Finnovista, as fintechs da América Latina estão divididas em 11 segmentos.

Gráfico sobre fintechs da Latam
Fonte: Finnovista

Entenda melhor os 5 principais segmentos das fintechs LATAM

Pagamentos e remessas

Em toda a América Latina, em 2018 existiam 265 empresas com esse perfil, correspondendo a um quarto das fintechs do subcontinente. No Brasil, um bom exemplo é o PicPay. O app permite que pessoas façam pagamentos a empresas ou pessoas físicas pelo celular.

Na geração de boletos, há uma série de opções práticas e simples. A Gerencianet, plataforma destinada à emissão de boletos por pessoas físicas ou jurídicas, é um deles. Na Asaas, além da geração dos boletos, a plataforma oferece outras ferramentas, como cobrança automática e máquina de cartão.

Empréstimo ao consumidor e para empresas

O segmento de empréstimos é responsável por 17% do total de fintechs na América Latina, com 176 empresas operando em 2018. A Gyra+ é uma empresa brasileira fundada em 2017 que atua nesse segmento.

Seu foco é em pequenas e médias empresas que precisam de crédito, principalmente para investir em capital de giro, e a avaliação é toda feita online.

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Gestão financeira empresarial

Com 162 empresas em operação, o segmento corresponde a 16% das fintechs do território. O app Qipu é um bom exemplo neste segmento. Brasileira, a plataforma se apresenta como “o braço direito de quem faz acontecer”.

Por meio dela, é possível controlar o fluxo de caixa, enviar DAS, fazer relatório anual e muitas outras tarefas administrativas. Específico para a emissão de notas fiscais há também o Nfe.io, que automatiza a tarefa da emissão das notas.

Gerenciamento financeiro pessoal

O quarto lugar em representatividade de mercado na América Latina fica com o segmento de gerenciamento financeiro pessoal, com 90 (9%) empresas em operação em 2018. A brasileira GuiaBolso é uma das principais com esse perfil.

O app organiza os comprovantes de compras e mostra os gastos de forma a facilitar onde o usuário está empregando seu dinheiro.

Crowdfunding

Fechando os cinco segmentos com maior representatividade de mercado, vêm as plataformas de crowdfunding. Em 2018, a América Latina tinha 88 (8%) empresas do gênero, o que já representa um crescimento considerável em comparação a cinco anos atrás.

Se antigamente podíamos contar somente com Kickstarter e, depois, Catarse, hoje já é possível escolher também entre mais de onze plataformas diferentes para o mesmo objetivo: captar fundos online.

O restante das fintechs América Latina distribuem-se entre os seguintes segmentos:

  • tecnologia para inteligência financeira;
  • scoring, ID e fraudes;
  • seguros;
  • gerenciamento de riquezas, mercado e trading.

Por último, responsáveis por apenas 1% do mercado, vêm os bancos digitais, como o banco Inter e o NuBank com sua recente NuConta.

Principais mercados da Latam e seu crescimento

O Brasil é, disparado, o maior mercado para fintechs na América Latina. Em 2018, o subcontinente tinha 1034 financeiras tecnológicas, sendo que 361 delas estavam no Brasil. Em segundo lugar vem o México, com cerca de um terço a menos no número de empresas do segmento.

Juntos, México e Brasil são responsáveis por 61% das fintechs da América Latina. Em último lugar vem o Uruguai, com apenas 12 empresas, atrás de Equador (31) e Peru (52).

Além dos dois países com maior número de fintechs LATAM, Colômbia, Argentina e o Chile compõem os principais mercados do segmento no subcontinente.

Gráfico sobre fintechs da Latam
Fonte: Finnovista

O maior crescimento em 2017 e 2918 foi na Argentina (56%), seguida de perto pelo México (55%). O Brasil também não decepcionou, tendo apresentado um crescimento de 46% no mesmo período.

O fenômeno das fintechs ainda é recente na América Latina, o que significa que 84% de todas as empresas têm menos de cinco anos de fundação. Vinte e quatro por cento delas têm menos de dois anos.

Tecnologias que estão moldando as fintechs da América Latina

A tecnologia é uma das bases das fintechs, pois foi somente com o avanço de uma série de ferramentas que os novos modelos de negócios financeiros tornaram-se possíveis. Algumas tecnologias têm moldado o perfil das empresas.

As chamadas tecnologias exponenciais são as que têm maior penetração no mercado e as responsáveis pelo maior volume de mudanças no sistema financeiro. São usadas para construir modelos de negócios mais modernos, com base digital.

A maior delas é, sem dúvida, o big data e o data analytics, que está presente em 21% das fintechs. Depois, com 19%, vêm as plataformas de código aberto e APIs.

O terreno com maior potencial de crescimento é, sem dúvida, a inteligência artificial e do binômio cryptocurrencies e blockchain, presentes em somente 5% e 7% das fintechs América Latina, respectivamente.

No vídeo abaixo, você pode entender mais sobre o potencial dessa tecnologia:

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a inteligência artificial será responsável pela realização de 50% de todo o trabalho do mundo até 2025 — contra os 29% atuais.

Já o blockchain está sendo considerado uma nova fronteira na elaboração de contratos. Ambas as tecnologias apresentam potencial para a criação de modelos de negócio com capacidade para mudar paradigmas no sistema financeiro.

Protagonismo do Brasil no cenário latino-americano

O Brasil é o principal mercado de fintechs na América Latina. No nosso contexto, as empresas de pagamentos são as mais numerosas (91 operam no território nacional). Pagseguro, Wirecard (antiga Moip), Iugu e PicPay são alguns dos maiores players do segmento. Em seguida, vêm as plataformas de gestão empresarial (62).

O terceiro lugar em número de financeiras tecnológicas fica com os negócios dedicados ao crédito. As 52 empresas do segmento têm encontrado um terreno fértil no país em crise financeira e com uma grande população endividada.

O crescimento fintech América Latina está apenas no começo. Isso quer dizer que o mercado ainda pode esperar muitas transformações daqui para a frente, e os consumidores também.

Para o sistema financeiro tradicional, restam apenas duas alternativas: unir-se em parcerias com as fintechs, ou nadar contra a corrente e correr o risco da obsolescência no mercado.

Agora que você já entendeu o panorama das fintechs em nosso subcontinente, leia o nosso guia que conta a história das Fintechs, de seu surgimento até o crescimento. Boa leitura!

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