As primeiras startups brasileiras do mercado financeiro começaram a aparecer para o público em 2013. Naquela altura, pouca gente imaginava ver as fintechs na bolsa de valores. Afinal de contas, eram poucas as que se arriscavam a entrar em um mercado cujos principais concorrentes eram bancos tradicionais e extremamente sólidos, um nicho altamente competitivo e com poucos players. Naquele ano, apenas quatro empresas, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, registraram lucro de US$ 20,5 bilhões. Se eles formassem um país, teriam o 84º maior PIB (Produto Interno Bruto) do mundo. 

No entanto, com o passar do tempo e, principalmente, a adesão dos clientes, o jogo começou a mudar. Ademais, entrar na bolsa de valores passou a ser um dos objetivos das fintechs, para aumentar a captação de investimento e financiar projetos de expansão, lançamentos de novos produtos e serviços e elevar o patamar da concorrência com os bancos tradicionais. 

Hoje, são mais de 500 fintechs no Brasil disputando os mais diversos nichos que fazem parte do universo do mercado financeiro. Cartões de crédito, pagamentos, empréstimos, investimentos, financiamento, criptomoedas… Esses são apenas alguns dos serviços oferecidos em um setor que se tornou bastante competitivo até mesmo para os bancos. Muitos deles se associaram a fintechs para renovar produtos que ofereciam ao cliente. 

Neste artigo, vamos falar sobre as fintechs na bolsa de valores e as histórias de cada uma delas. Boa leitura! 

Por que uma fintech decide abrir capital?

Sediado em Belo Horizonte, o Banco Inter é considerado a primeira fintech a abrir capital no país. Em 2018, a startup criada pela família Menin, dona da construtora MRV, fez seu IPO na B3, em São Paulo. O banco digital conseguiu R$ 721,9 milhões na sua oferta inicial de ações. “Isso vai ajudar o setor bancário brasileiro e deverá, de quebra, atrair outras startups do setor financeiro a abrirem capital”, disse o presidente do Banco Inter, João Vitor Menin, na ocasião. De fato, até 2019, um ano depois, outras fintechs seguiram o mesmo caminho. 

Mas por que uma fintech como o Banco Inter resolve abrir capital? 

Basicamente, para conseguir se capitalizar e, a partir daí, por meio de investimentos e outras utilizações estratégicas dos recursos obtidos, realizar expansões, crescer e angariar novos clientes. No entanto, é preciso ter um certo grau de maturidade e estruturação interna para que a empresa se torne apta a entrar na bolsa de valores. 

O processo de abertura de capital de uma fintech é semelhante ao de outras empresas. Na prática, a startup está tornando pública a oportunidade de que outras pessoas ou grupos possam se tornar seus sócios. Com a venda de ações ela consegue se capitalizar e realizar investimentos. A essa primeira venda de ações se dá o nome de IPO (sigla em inglês para Inicial Public Offering, ou seja, Oferta Pública Inicial, em tradução livre). 

No caso do Banco Inter, por exemplo, que se tornou uma referência por ser o estreante no país, a fintech conseguiu R$ 541 milhões na oferta primária. A empresa anunciou que os recursos seriam utilizados para investimentos em tecnologia, aquisições estratégicas, marketing e para incrementar operações de crédito. Outros R$ 180 milhões foram arrecadados em uma oferta secundária. 

A seguir vamos contar um pouco mais sobre a história de três fintechs na bolsa valores para você acompanhar no dia a dia. 

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3 fintechs na bolsa de valores para ficar de olho 

1. Banco Inter

O Banco Inter foi fundado como financeira, ainda nos anos 1990, mas soube se adaptar a uma realidade em que os primeiros bancos digitais despontavam fora do país. Sob o nome Intermedium, a empresa se especializou em oferecer crédito para financiamentos imobiliários. A sua origem faz bastante sentido, afinal de contas, a financeira estava vinculada a Rubens Menin, dono da MRV Engenharia, uma das maiores construtoras habitacionais do país. 

A virada de página de Intermedium para Banco Inter veio em 2015, quando a financeira deixou de ser controlada pela construtora e vivenciou sua transformação digital. O Banco Inter surgiu como um dos primeiros a oferecer contas sem anuidade. Para divulgar essa característica — até então uma grande novidade no mercado financeiro brasileiro — instalaram um painel eletrônico que se atualiza em tempo real para dizer quanto seus clientes economizaram em taxas até aquele momento. 

O processo de modernização da marca rendeu frutos e o Banco Inter ampliou sua participação no mercado, oferecendo aos clientes outros serviços, como atendimento rápido, empréstimos, contas para Pessoa Jurídica, dentre outras novidades. Ao realizar o IPO, em 2018, a empresa valia R$ 1,9 bilhão. Poucos meses depois, chegou à marca de 1 milhão de clientes e, para o seu presidente, João Vitor Menin, filho do fundador do Intermedium, é possível dobrar o número antes de uma nova rodada de investimentos

2. PagSeguro

Fundada em 2006 como um braço do UOL, que pertence ao Grupo Folha, PagSeguro é uma empresa que atua no segmento de pagamentos eletrônicos. De um lado, realiza a transação com cartões de crédito e débito por meio das maquininhas de cartão sem aluguel. Por outro, oferece soluções para pagamentos online. 

A princípio, a PagSeguro foi criada para ser a plataforma de serviços financeiros do UOL, mas foi expandindo sua área de atuação ao longo dos anos. Em 2010, chegou à marca de 12 milhões de clientes cadastrados. A partir desse momento, o PagSeguro começou a investir em uma série de novidades para expandir o produto e garantir espaço maior nesse nicho de mercado. 

Uma das inovações foi o processamento de pagamentos por meio da tecnologia NFC, que permite a realização de transações por aproximação entre smartphones. Outra, foi a Carteira PagSeguro, que permite pagamento pelo celular em estabelecimentos que tenham a tecnologia. 

Doze anos depois da sua fundação, em 2018, a PagSeguro resolveu abrir capital. No entanto, ao contrário do Banco Inter, a instituição procurou a Bolsa de Nova York para realizar o seu IPO. A empresa conseguiu captar US$ 2,3 bilhões em sua estreia e negociou as ações a US$ 21,50 — valor mais alto que o previsto na ocasião. Em outubro de 2019, mais de um ano depois, o valor da ação já supera a casa dos US$ 46. 

3. BTG Pactual

Embora não seja uma fintech, o BTG Pactual é mais uma das empresas que atuam no mercado financeiro a abrir capital e listar suas ações na bolsa de valores. E, por isso, é bom ficar de olho na empresa. Fundada ainda na década de 1980 por um grupo de economistas, entre eles o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, o BTG Pactual passou por uma série de incorporações e fusões ao longo do tempo até chegar ao formato atual. 

A empresa, comandada, hoje, pelo CEO Roberto Saloutti, expandiu suas atividades ao longo das últimas três décadas. Hoje, além das sedes no Rio de Janeiro e em São Paulo, o BTG também tem escritórios em centros financeiros importantes, como Nova York, Hong Kong e Londres, dentre outros.

O banco oferece uma série de serviços, mas ficou mais conhecido com serviço de assessoria de investimentos e administra ativos de grandes grupos, dos mais variados segmentos, como as montadoras Mitsubishi do Brasil e Suzuki, a administradora de estacionamentos Estapar, a UOL, dentre outras. 

O BTG Pactual entrou na bolsa de valores de São Paulo em 2012. Na época, a empresa conseguiu captar R$ 3,6 bilhões em oferta de captação primária. O IPO da empresa foi considerado muito bem sucedido, afinal, segundo especialistas, foi o maior valor obtido desde 2009 no Brasil. 

Como investir na bolsa com ajuda das fintechs

Mas a relação das fintechs com a bolsa de valores não diz respeito somente àquelas que resolveram abrir capital e negociar suas ações na B3 em São Paulo, ou na valorizada Bolsa de Nova York, por exemplo. O boom das fintechs no Brasil também abriu espaço para que startups digitais começassem a oferecer serviços de investimento na bolsa. Essa foi mais uma frente de batalha contra bancos tradicionais ou outros, menores, mas que já tinham se especializado neste nicho de mercado. 

Uma delas é a Toro Investimentos. A startup que entrou no mercado como uma educadora financeira conseguiu, recentemente, autorização para se tornar uma corretora apta a operar na bolsa de valores, negociando ações e outras formas de investimentos. 

Para quem não tem familiaridade com o assunto, as fintechs que oferecem esse tipo de serviço apostaram em plataformas simples e totalmente digitais e intuitivas. Com isso, investir se tornou mais fácil, o que acabou atraindo mais gente disposta a trocar bancos por fintechs na hora de colocar seu dinheiro para render na bolsa de valores. 

No caso da Toro, por exemplo, a startup resolveu abandonar a lógica das plataformas home broker, geralmente confusas e que mostram todos os tipos de investimentos possível para apresentar sugestões de investimentos, potenciais de lucros e outras informações que fazem mais sentido para clientes que tem vontade de investir. 

Além disso, na plataforma digital você pode indicar o quanto está disposto a investir, o quanto deseja ganhar e o que está disposto a perder. Uma análise feita pela equipe da fintech na bolsa de valores mostra as opções mais indicadas para este tipo de investimento. Caso você obtenha lucro, uma taxa de 10% fica para a Toro. No entanto, se houver prejuízo, não há cobrança de taxas.

No vídeo abaixo, veja dicas de como investir na Bolsa de Valores. 

Mas a Toro Investimentos não é a única fintech que opera na bolsa de valores. Há outras opções no mercado com outros tipos de facilidade. Acompanhe: 

Investindo na bolsa dos EUA 

Criada na Austrália, a startup Stake chegou ao Brasil no início do ano para facilitar o investimento em empresas que estão cotadas na bolsa de valores dos Estados Unidos. A plataforma não exige que você abra uma conta em banco ou colocar o seu dinheiro em uma corretora. 

Para usar o serviço da fintech, basta se cadastrar e realizar um depósito bancário. Com isso, você tem acesso a uma carteira com mais de 3,5 mil empresas com capital aberto no país norte-americano. Para se ter uma base de comparação, são 600 as empresas cotadas na Bolsa de Valores de São Paulo. 

Usando um robô para ganhar dinheiro 

Mas e se você não tem a menor vontade de acompanhar os cadernos de Economia de jornais ou revistas especializadas para saber qual a tendência de futuro vai guiar os investimentos? Você pode delegar essa decisão a uma corretora ou a um robô. Isso mesmo. A Smarttbot oferece uma opção ainda mais inovadora para quem deseja investir na bolsa de valores: um algoritmo online. 

Para isso, você precisa configurar sua estratégia de investimentos (mais ou menos conservador, por exemplo), e uma base de dados alimentar um algoritmo que é enviado diretamente às corretoras. O mais interessante é que você pode acompanhar os resultados em tempo real, por meio de gráficos e relatórios que te ajudam a entender se os investimentos estão dando ou certo ou se é preciso fazer alguma adaptação. 

Comprando ações em um app

Depois de parar para pensar que era possível pedir, por meio de um app, um carro para se deslocar pela cidade, um empreendedor norte-americano decidiu criar um aplicativo que facilitasse a vida de quem tem interesse em investir. Nos Estados Unidos, seis em cada 10 pessoas fazem investimentos, algo muito diferente da cultura brasileira, em que há somente 0,5% de usuários cadastrados em investimentos na bolsa. 

A Robinhood não faz análise de investimentos, não gera relatórios ou gráficos personalizados. No entanto, a fintech também não cobra taxas para investimentos. Esse modelo de negócio permite maior facilidade para se investir na bolsa e a startup ganha dinheiro por meio de juros do dinheiro depositado pelos clientes. A fintech está avaliada em mais de US$ 5 bilhões. 

Depois de descobrir detalhes incríveis sobre fintechs na bolsa de valores e como você pode investir de forma mais fácil e assertiva, valorizando seu dinheiro, que tal conhecer um pouco mais sobre outro segmento de fintechs que está fazendo sucesso? Estamos falando sobre fintechs de crédito e como você pode pegar empréstimos de forma mais fácil, ágil, segura e com taxas mais vantajosas que as opções tradicionais. Até a próxima!

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