As startups por si são empresas revolucionárias, já que oferecem soluções inovadoras para os problemas e dores do dia a dia das pessoas. Tudo isso, utilizando tecnologia como ferramenta principal a fim de desburocratizar serviços. 

Além de tudo, as startups também possibilitam maior economia de dinheiro e até tempo aos seus clientes. Vide as fintechs que prestam serviços financeiros e bancários por preços irrisórios ou até gratuitos, substituindo as tradicionais instituições financeiras.

Mas, no meio das startups, existem algumas “criaturas raras”. São as chamadas empresas unicórnio. Uma startup unicórnio é o negócio que conseguiu conquistar o valor de mercado superior a um bilhão de dólares.

O curioso sobre tais empresas é que não  necessariamente elas conseguem atingir um lucro equivalente a esse valor ou maior. Mesmo assim, companhias de venture capital e fundos investem nessas empresas por acreditarem no potencial de crescimento e lucro no futuro. E, claro, ser reconhecida como uma unicórnio é extremamente importante para a marca de uma empresa e isso só atrai mais investimentos e confiabilidade. 

O Brasil é um mercado de startups em potencial na América Latina, concentrando cerca de 12.760 startups atualmente, segundo levantamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). 

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Mas para provar o quão raro é o universo mitológico dentro do mercado de startups, apenas dez desse total são consideradas unicórnios. Para mostrar um pouco de cada uma, vamos apresentar a lista dos unicórnios brasileiros atuais e contar a história de como elas conquistaram espaço nesse grupo exclusivo.

Quem são os unicórnios brasileiros e como alcançaram a marca

1. 99

Antes conhecida como 99Taxis, foi fundada em 2012 e foi a primeira empresa a entrar na lista de unicórnios brasileiros. Seus criadores são Ariel Lambrecht, Paulo Veras e Renato Freitas. 

A empresa foi criada com o objetivo de atender demandas de mobilidade dos passageiros que queriam pedir táxis convencionais por meio de um aplicativo. Com a chegada da Uber no Brasil, a startup precisou se modificar para não perder espaço no mercado. Por isso, ela criou a modalidade 99POP com opções de carros particulares nas viagens.

Como e quando a 99 se tornou um unicórnio

Em 2018, a startup de mobilidade foi adquirida pela chinesa e também unicórnio Didi Chuxing, que é referência no mesmo setor dentro do país asiático. Em 2017 a Didi já havia investido US$ 100 milhões na 99 e completou o investimento em 2018 ao comprar parcelas dos fundos Riverwood Capital, Monashees, Qualcomm Ventures, Tiger Global e a Softbank. O investimento total para fazer a plataforma atingir a marca de unicórnio foi de US$ 600 milhões.

Hoje, a 99 é a segunda maior empresa do setor de mobilidade do país e suas concorrentes diretas são a Uber e a espanhola Cabify. Ainda assim, ela não para de investir em outros setores e recentemente acabou de anunciar o serviço de delivery, o 99Food, para concorrer com iFood, Rappi e Uber Eats. 

2. Loggi

Fundada em 2013, a Loggi nasceu com a finalidade de suprir as necessidades logísticas do Brasil que sofria com um sistema de entrega moroso e caro. Dentro desse cenário, a Loggi conecta motoboys com empresas de logística para serviços de entregas pontuais à pessoas físicas. Seus fundadores são Arthur Debert, Eduardo Wexler e Fabien Mendez

Hoje, a empresa cobre 40% da demanda brasileira em logística e a sua meta é que até em 2020, 95% do território nacional passe a utilizar os serviços da empresa, chegando aos mais de 5.000 municípios brasileiros. 

Em um projeto nominado Loggi Leve, a companhia pretende realizar entregas em até 48 horas, em destinos mais afastados. 

Como e quando a Loggi se tornou um unicórnio

Em junho de 2019 depois de um aporte do fundo chinês Softbank, em um valor de 150 milhões de dólares. 

3. Gympass

Fundada em 2012 pelo mineiro César Carvalho e seus sócios Vinicius Ferriani e João Thayro. O objetivo da startup inicial era oferecer planos de assinatura pela internet para pessoas físicas que queriam fazer academia, mas não queriam se prender com planos. 

Com um potencial de mercado, a Gympass atraiu atenção para o mercado B2B e passou a atender clientes corporativos que oferecem assinaturas de academia como benefício para seus funcionários. 

A Gympass é uma das poucas startups brasileiras e unicórnio que atendem o mercado global e hoje está presente em mais de 8 mil cidades e em 14 países no mundo, incluindo o mercado norte americano. No Brasil, mais 19 mil academias estão cadastradas na plataforma, que oferece planos de acesso diário aos seus consumidores finais.

Como e quando o Gympass se tornou um unicórnio

Em janeiro de 2019, após receber um investimento de 300 milhões de dólares do Softbank e General Atlantic.

4. QuintoAndar

A startup foi criada em 2013 para facilitar o processo de contratos imobiliários entre possíveis inquilinos com os proprietários. Seus fundadores são André Penha e Gabriel Braga. 

Em seu início de atividades, era apenas um site com fotos de imóveis que fazia o intermédio entre as próprias imobiliárias com as pessoas físicas. Hoje, a empresa atua com uma ligação direta entre ela e o futuro locatário e ainda dispensa necessidade de fiança, um fiador ou depósito caução. 

Atualmente, está presente nas seguintes cidades do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Goiânia, Campinas, Canoas, Guarulhos, Jundiaí, Nova Lima, Novo Hamburgo, Niterói, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Barueri, São Leopoldo, Florianópolis, São José, Palhoça, Contagem, Taboão da Serra, Diadema, Várzea Paulista, São José dos Pinhais e Pinhais. 

A empresa está em fase de expansão e fecha mais 4,5 mil contratos por mês.

Como e quando o QuintoAndar se tornou um unicórnio

Em 2019, depois de participar de uma rodada de investimentos de 250 milhões de dólares, encabeçada pelo Softbank e o fundo americano Dragoneer. 

5. Ebanx

Criada em 2012 em Curitiba, pelos sócios Alphonse Voigt, João Del Valle e Wagner Ruiz. O objetivo da fintech era facilitar pagamentos entre empresas internacionais, que desejavam atuar no Brasil, com seus clientes finais. 

O grande problema das empresas que vinham de fora era para se adaptarem às especificidades do Brasil na hora de fechar um pagamento, como não aceitar a moeda local ou utilizar formatos de boleto bancário e compras à prazo. 

Para isso, a Ebanx nasceu e conseguiu trazer grandes marcas para o país, como AliExpress (do Alibaba), Wish, Spotify, Pipedrive, AirBNB, Farfetech, Udacity e Gearbest. Seu norte é atuar como uma gestora de pagamentos que ultrapassa fronteiras

Como a situação era comum em outros locais do continente, hoje a Ebanx atua em 

seis países da América Latina além do Brasil, incluindo Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina. E também tem um braço na América do Norte, com operações no México.

Como e quando o Ebanx se tornou um unicórnio

Em outubro de 2019, a Ebanx se tornou o primeiro unicórnio da região Sul do Brasil. Isso aconteceu depois de um investimento do fundo de capital de crescimento FTV Capital, que já havia aplicado na startup curitibana  30 milhões de dólares em 2017, o que rendeu à empresa um crescimento 80%. Neste ano, o valor investido na rodada não foi aberto. 

A empresa pretende continuar o plano de expansão no mercado latino americano e também alcançar espaço global. Sua meta para 2022 é ser líder em pagamentos cross-border e locais para empresas internacionais na América Latina.

6. Nubank

Queridinho por muitos brasileiros, o famoso cartão roxinho foi criado em 2013 por Cristina Junqueira, David Velez e Edward Wible. Essa fintech nasceu única e exclusivamente a partir de um cartão de crédito que prometia isenção de anuidades e taxas e gestão de faturas por meio de um aplicativo. Com um país em que a oferta de crédito é restrita por renda e outras questões de cadastro, o Nubank quebrou barreiras ao oferecer oportunidade de crédito a milhares de brasileiros. 

A evolução da marca foi alcançada pela conquista da confiança do clientes, que se sentiram atendidos de forma muito melhor, se comprassem com bancos tradicionais. 

Passado disso, o Nubank resolver entrar de vez no setor financeiro para concorrer diretamente com os bancos. Em 2018, a fintech lançou a Nuconta, sua conta totalmente digital. Hoje, a empresa concentra mais de cinco milhões de clientes.

Como e quando o Nubank se tornou um unicórnio

Em março de 2018, ao receber uma rodada de investimentos do fundo russo DST Global no valor de 150 milhões de dólares. Mas a empresa afirma que já havia conquistado essa marca antes da aplicação externa. 

Alguns meses depois, a fintech foi avaliada em 4 bilhões, quando recebeu investimentos da empresa chinesa Tencent. Em julho de 2019, o Nubank alcançou um novo patamar histórico e se tornou a primeira fintech com valor de mercado superior a 10 bilhões de dólares, após aplicação de 400 milhões de dólares do fundo TCV, americano. Ainda na linguagem mitológica das startups, essas empresas são chamadas ‘decacórnios’. 

Com tal avaliação de preço, o Nubank se torna mais valioso que grandes marcas, como a Natura. 

7. iFood 

Criada em 2011 por Eduardo Baer, Felipe Ramos Fioravante, Guilherme Bonifacio e Patrick Sigrist. Sua atuação é voltada a área de delivery direto  para entrega de comida. Os estabelecimentos fazem cadastro na plataforma e a partir disso os clientes conseguem fazer um pedido do restaurante direto do aplicativo. Apesar de ter nascido no Brasil, a empresa é líder no segmento na América Latina.

Como e quando o iFood se tornou um unicórnio

Em 2014, o iFood foi adquirido pela holding brasileira Movile, que também é um unicórnio e possui outras empresas dentro de seu guarda-chuva. São elas Sympla, PlayKids e Apontador. Para investir no delivery, a holding fez um aporte de 500 milhões de dólares e depois disso a empresa se tornou um unicórnio. 

8. Stone

A Stone é uma fintech voltada ao setor de meios de pagamento, que oferece soluções para sites e e-commerces e maquininhas de cartão para comércio. Foi criada em 2012 por André Street e Eduardo Pontes. 

A empresa cresceu bastante depois da mudança de mercado com o fim do monopólio das empresas Cielo e Redecard, que tinham exclusividade sobre as bandeiras Visa e MasterCard. Isso foi uma oportunidade não só para Stone, mas para outras fintechs do mercado, como Sumup e Pagseguro. 

Como e quando a Stone se tornou um unicórnio

A fintech se tornou um unicórnio depois de abrir o capital na bolsa de valores americana (Nasdaq), levantando 1,5 bilhões de dólares. Com a aquisição da Elavon, a empresa também cresceu de maneira exponencial. Com isso, a fintech passou a concentrar cerca de 5% do mercado de adquirência brasileiro. Hoje, seu valor de mercado e capitalização superam os 5 bilhões de dólares.

9. Wildlife

A Wildlife Studios é uma startup produtora de jogos, que nasceu em 2011 no berço da Universidade de São Paulo, depois que os dois irmãos Victor Lazarte e Arthur Lazarte resolveram largar as carreiras financeiras em um banco de investimento e consultoria. 

Depois de oito anos da criação da empresa, mais de 2 bilhões de downloads foram feitos para baixar os jogos da plataforma. Entre o portfólio da produtora estão os jogos Sniper 3D e Tennis Clash. No todo, a empresa detém 70 títulos de jogos.

Como e quando a Wildlife se tornou um unicórnio

É o unicórnio mais novo no Brasil, com o título alcançado em dezembro de 2019. Depois de uma rodada de investimentos da americana Benchmark com um aporte 60 milhões de dólares, em novembro a empresa alcançou a avaliação superior de 1 bilhão de dólares. 

Esse episódio do podcast Growthaholics da Ace Startups fez uma retrospectiva listando os unicórnios brasileiros de 2019:

Os futuros unicórnios brasileiros

Como o mercado de fintechs e startups brasileiras está super aquecido e os  investidores estão atentos aos novos negócios que surgem no país, a qualquer hora um novo unicórnio pode aparecer. 

Por isso, listamos outras startups que podem completar o time de unicórnios brasileiros daqui pra frente, de acordo com o Relatório Corrida dos Unicórnios (primeiro semestre de 2019) do Distrito. Fique atento!

  • Creditas: fintech de empréstimos
  • Neoway: startup de análise de dados
  • ContaAzul: fintech de pagamentos
  • Grow: holding voltada a soluções de mobilidade urbana
  • Resultados Digitais: startup de marketing digital
  • VivaReal: startup de soluções imobiliárias
  • CargoX: marketplace de fretamento

Fundos de investimento por trás dos unicórnios brasileiros

Outro ponto importante é destacar é em relação aos investidores destas startups e fintechs. Como foi visto acima, na maioria das vezes eles são responsáveis por tornar essas empresas em unicórnios. 

Entre os principais investidores, estão:

  • FTV
  • Softbank
  • Kaszek
  • Valor Capital
  • Monashees
  • Redpoint 
  • Benchmark

Unicórnios em outros países

O Brasil concentra agora 10 unicórnios e o maior mercado na América Latina. O maior mercado de unicórnios do mundo é dos Estados Unidos com 205 startups unicórnios, depois vem a China com 101 unicórnios. Atualmente, os países que possuem empresas deste tipo são:

  • EUA: possui 205 unicórnios, entre eles Juul, Airbnb e Space X
  • China: possui 101 unicórnios, entre eles ByteDance (dona da TikTok) e Didi Chuxing 
  • Reino Unido: possui 21 unicórnios, entre eles Global Switch e Transferwise
  • Índia: possui 18 unicórnios, entre eles One97, Oyo e Snapdeal
  • Alemanha: possui 11 unicórnios, entre eles N26 e Auto1
  • Coreia do Sul: possui 9 unicórnios, entre eles Coupang e Bluehole
  • Colômbia: seu único unicórnio é o app Rappi

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