Dentro do ecossistema de inovação e empreendedorismo existem diversas expressões que, por vezes, podem nos deixar confusos a respeito dos seus significados. Um desses termos é o “fintech”.

Mas o que é uma fintech?

Etimologicamente, este termo se refere à união das palavras em inglês Financial (Finanças) e Technology (tecnologia) e é usado para empresas que inovam no segmento financeiro. Basicamente, elas usam a tecnologia para facilitar sua vida, seja ao te oferecer um cartão de crédito que não depende das burocracias do banco ou ao te ajudar a controlar seus gastos através de um app no celular.

De acordo com Guilherme Horn, Diretor Executivo e Líder de Inovação na Accenture, as “empresas de fintech são tipicamente aquelas que usam tecnologia de forma intensiva para oferecer produtos na área de serviços financeiros de uma forma inovadora”. Ele ainda acrescenta que a inovação dessa empresa pode ser tecnológica ou de modelo de negócios e que deve proporcionar uma melhor experiência ao usuário.

As fintechs surgem em um cenário que, até então, era controlado por grandes bancos e instituições financeiras e chegam justamente para mudar o mercado tradicional, resolvendo as insatisfações que sempre foram deixadas de lado. E é por isso que elas têm ganhado cada vez mais espaço. Não à toa, já que elas têm se destacado cada vez mais entre a nova geração: uma pesquisa do Goldman Sachs mostra que 33% dos millennials acreditam que não vão precisar de um banco em cinco anos; e metade diz esperar que seus serviços sejam prestados por startups.

Desbravando mercados

A tecnologia está presente no setor financeiro desde meados do século passado, com a criação dos cartões de crédito. Entretanto, por muito tempo, a inovação se manteve somente dentro das grandes instituições e não era tão democrática como é hoje, com o surgimento das fintechs.

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A primeira empresa caracterizada como uma fintech e que ganhou escala global foi o PayPal. Fundada em 1998 por Peter Thiel e Max Levchin com o objetivo de facilitar os pagamentos online e torná-los mais seguros, a empresa revolucionou o mercado e teve a sua oferta pública inicial apenas quatro anos após o início do negócio. O PayPal foi o primeiro nome forte do setor e que se tornou um parâmetro para descrever o que é uma fintech.

No vídeo abaixo é possível conferir um pouco mais sobre a história do PayPal:

E não é por ser uma empresa já consolidada, que o PayPal não deixa de se aventurar por outros mercados. Recentemente, a empresa desembolsou cerca de U$2 bilhões para comprar a sueca iZettle, especializada em sistemas de gestão financeira integrado às maquininhas de cartão. Por mais que o segmento já tenha grandes nomes, a iZettle atua em uma lacuna pouco explorada: a das pequenas empresas.

Além disso, é uma forma do PayPal aumentar a parcela de participação em mercados, como Alemanha, Brasil, Dinamarca, Espanha, França, Finlândia, Grã-Bretanha, Países Baixos, Itália, México, Noruega e, claro, Suécia.

Com o investimento da Paypal, a Izettle consolidou sua posição: “iZettle com esteróides”, como gosta de brincar o Jacob De Geer, nosso fundador”, comenta a Clara Duarte Barroso, Inbound Marketing Specialist recém chegada na Izettle.

“Há mais ou menos 2 meses a iZettle se reposicionou, deixando de participar apenas da guerra por taxas que define o mercado de maquininhas de cartão no Brasil e passando a focar no seu grande diferencial: o aplicativo de gestão para pequenos empreendedores”, disse Clara.

Clara chegou na Izettle em 2018, apaixonada pelo mundo das fintechs. Um dos diferenciais que chamou a atenção dela foi o seu sistema grátis de gestão.

“A Izettle conhece muito bem o seu público e tem uma missão bem definida: ajudar os micro e pequenos empreendedores para competir em um mundo de empresas gigantes”, complementou.

De acordo com Clara, “a maquininha de cartão foi o produto que Izettle lançou como pioneira no Brasil em 2013. Mas hoje, através do aplicativo, a Izettle está mudando totalmente para se posicionar como sistema de gestão para simplificar a administração do seu negócio. E graças ao Paypal, podemos esperar muitas novidades nos próximos anos!”

Caráter social

Além de transformar mercados, as fintechs surgiram, também, para transformar realidades de comunidades inteiras. De acordo com uma reportagem da Forbes, em regiões sem bancos, muitas pessoas ainda mantém suas economias em dinheiro, sem contas bancárias. Há, também, os que ainda guardam seu dinheiro fora dos bancos por não concordarem com as taxas e o modelo. Enquanto nos países desenvolvidos, 89% da população tem contas em bancos, nos países em desenvolvimento este número cai para 41%.

Por isso, as fintechs que oferecem soluções para que a população sem acesso a um banco consiga pagar contas e transferir dinheiro, têm ganhado espaço. Um exemplo é a M-Pesa, que atua desde 2007 no Quênia e permite que mais de 14 milhões de pessoas tenham acesso à economia e consigam se beneficiar de alguns serviços bancários.

A M-Pesa funciona da seguinte forma: o usuário vai até uma loja, que funciona como um agente bancário, e troca dinheiro por créditos eletrônicos. Essas lojas recebem uma taxa a cada conversão de valores realizada e o dinheiro torna-se então e-float, uma espécie de crédito, até estar pronto para ser usado em transferências, compra de créditos de celular ou faturas de contas, com valor máximo de US$800. Por fim, a conta fica vinculada ao número de telefone e pode ser acessada por meio do chip do telefone.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o que são as fintechs, deve estar se perguntando, e o Brasil? Quais são as fintechs brasileiras?

Fintechs no Brasil

De acordo com um relatório divulgado pela Radar FintechLab, existem 453 empresas que se enquadram como fintech no país. Em sua maioria(105) são empresas em que o core business é pagamentos online.

Entretanto, foi possível notar um aumento no número de fintechs para outros setores: Cryptocurrency quase dobrou, passando de 15 para 28 iniciativas, Câmbio e Remessas saltou de 9 para 14 empresas e Seguros, que registrou um aumento de 37%, totalizando 37 projetos.

E em meio a todas essas empresas, quais são as que mais têm se destacado? Separamos uma lista com 5 exemplos para que você entenda de vez o que é uma fintech e conheça todos os exemplos. Vamos lá?

1. Nubanknubank

O Nubank é um dos maiores exemplos de fintech no Brasil. Ela foi uma das pioneiras no país e atua como administradora de cartões de crédito digital e, há pouco tempo, passou a oferecer mais operações referentes a um banco digital. Recentemente, ela foi indicada como uma das fintechs mais inovadoras do mundo pelo estudo 2017Fintech100, elaborado pela KPMG e a H2Ventures.

O Nubank foi disruptivo em seu negócio por proporcionar tudo o que um banco tradicional oferece, sem precisar de uma agência física para isso. Quem tem uma conta no aplicativo consegue controlar seu limite de crédito, consultar o demonstrativo da conta e antecipar ou parcelar parcelas pelo aplicativo, disponível para Android e iOS.

Recentemente, a fintech lançou uma outra novidade: a NuConta. Em termos práticos, a NuConta não é uma conta corrente nem uma conta poupança, mas, sim, uma conta de pagamento. Por meio dela, é possível fazer pagamentos e transferências gratuitas para outro bancos, além de ser uma forma de investimento, já que o seu dinheiro pode render na plataforma.

2. Banco Interbanco-inter

  • Tipo: Banco
  • Fundadores: Rubens Menin Marcos A. Cabaleiro Fernandez
  • Início das operações: 1994, em Belo Horizonte

A história do Banco Inter começou em 1994, com a Financeira Intermedium, que tinha o foco no mercado imobiliário e de crédito consignado. Em 2008, a instituição recebeu a licença para operar como banco, se tornando o Banco Intermedium. Entretanto, foi somente em 2017 que a instituição passou por um processo de modernização e se tornou uma fintech, o Banco Inter.

Primeira fintech a abrir capital na Bolsa de Valores de São Paulo, o Banco Inter é o primeiro banco digital do Brasil, já que a abertura da conta é feita totalmente pela internet, sem precisar enviar documentos físicos ou ir até uma agência bancária.

O Banco Inter oferece todos os serviços de um banco tradicional – incluindo o cartão de crédito e, recentemente, acabou de completar 1 milhão de correntistas.

3. Creditas creditas

  • Tipo: Concessão de crédito
  • Fundador: Sergio Furio
  • Início das operações: 2012

A Creditas, antiga BankFácil, surgiu 5 anos atrás com o objetivo de tornar os empréstimos mais simples por meio de garantia. Isto é: um tipo de crédito em que você utiliza um bem, como um veículo ou um imóvel, como garantia do pagamento do seu empréstimo.

A plataforma tem o objetivo de te ajudar na contratação de empréstimo pessoal e outros produtos financeiros a partir da comparação dos valores em várias instituições financeiras, para que você escolha aquela que achar melhor.

4. Toro Investimentos toro-investimento

  • Tipo: Investimentos
  • Fundador: João Resende, Guilherme Alves, Gabriel Kallas, Márcio Placedino e Gustavo Mendes
  • Início das operações: 2010

A Toro Investimentos nasceu como uma fintech de investimentos e educação financeira, a Toro Radar, em 2010. Após mais de 50 milhões de aporte em duas rodadas de investimento, o objetivo desta fintech é grande: dobrar o número de pessoas que movimentam ações na bolsa.

Por isso, em 2017, a fintech recebeu a autorização do Banco Central do Brasil, B3 e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para se tornar uma corretora de valores. Para alavancar o número de clientes, a empresa investe em uma plataforma digital e modelo de precificação inéditos no mercado.  

5. Guiabolso guia-bolso

  • Tipo: Planejamento financeiro
  • Fundador: Benjamin Gleason e Thiago Alvarez
  • Início das operações: 2014

O Guiabolso é um aplicativo de controle de finanças pessoais e que, hoje, já possui mais de 3 milhões de usuários. Assim como o Nubank, foi indicado como uma das Fintechs mais inovadoras do mundo pelo estudo 2017Fintech100, elaborado pela KPMG e a H2Ventures.

Por meio da integração com a conta bancária, o usuário pode acessar, em tempo real, as entradas e saídas de dinheiro, todos os gastos segmentados por tipos e estipular metas de economia. O serviço é gratuito para o usuário e está disponível para Android e iOS.

Fintechs em crescimento

Além dessas fintechs que já estão consolidadas no mercado, selecionamos mais 4 apostas de startups que têm se destacado no mercado financeiro.

1. Treasy

A Treasy é uma fintech de Santa Catarina e é especialista em automatizar a gestão orçamentária da sua empresa. A plataforma permite integrar com seu sistema de ERP e contabilidade, acompanhar os resultados, analisar gráficos e indicadores e emitir relatórios e análises gerenciais.

2. Pluga

A Pluga é uma fintech focada em tornar as integrações entre os seus fornecedores mais simples. A partir dela, é possível conectar os meios de pagamentos ou outros serviços financeiros sem precisar escrever várias linhas de código.

3. Nfe

A Nfe é especialista em automatizar a emissão de notas fiscais da sua empresa. Por meio da plataforma é possível emitir a nota fiscal automaticamente e enviar direto para o cliente, reduzindo o trabalho manual e o custo de operação.

4. Gyra+

A Gyra+ é uma fintech brasileira, fundada em 2017, e que tem como objetivo desburocratizar o empréstimo e ajudar pequenas empresas a terem acesso ao crédito, de forma rápida, simples e segura.

Tem vontade de investir ou criar sua fintech? O mercado ainda está cheio de oportunidades para quem quer se aventurar no segmento financeiro.

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