Você pode até não saber, mas uma das pessoas por trás do sucesso e do crescimento de uma das maiores fintechs do Brasil é uma mulher. A vice-presidente do Nubank, Cristina Junqueira, é uma das três fundadoras da startup. O negócio começou com três sócios em maio de 2013, em São Paulo e que, hoje, conta com uma equipe de mais de 1.500 funcionários. 

No começo, antes que a empresa se tornasse parte de um movimento que tem revolucionado a forma como clientes lidam com o sistema bancário brasileiro, eram só ela, paulista de Ribeirão Preto, e mais dois sócios — o colombiano radicado nos Estados Unidos, David Vélez, e o norte-americano Edward Wible. Os três se revezavam para fazer todos os serviços de uma empresa que oferecia algo que não existia no sistema bancário brasileiro: um cartão de crédito sem taxas.

Para se ter uma ideia, logo no começo da fundação do banco digital, as ligações de clientes que precisavam de atendimento (a qualquer hora do dia) caíam direto na linha de Cristina. 

Neste artigo vamos contar a história da empresária que ainda nem completou 40 anos de idade e é considerada uma das lideranças femininas mais importantes do Brasil. 

Quem é Cristina Junqueira?

Quase tudo na história da co-fundadora do Nubank, Cristina Junqueira, é um pouco precoce. Nascida em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em 1984, ela se mudou ainda bebê, com os pais, para o Rio de Janeiro. Estudou no tradicional colégio jesuíta Santo Inácio, localizado no bairro de Botafogo e, tão logo se formou no Ensino Médio, se mudou sozinha para São Paulo para cursar Engenharia de Produção na USP (Universidade de São Paulo), uma das mais conceituadas universidade do país. 

Dividindo um apartamento com outras três mulheres, Cristina se formou em 2004 e emendou a graduação em um mestrado em Engenharia, na Escola Politécnica da USP. Nesse momento, ela havia trabalhado como analista interna no Itaú Unibanco, como consultora na Booz Allen Hamilton, na capital paulista, e, depois no Boston Consulting Group. 

Em 2007, foi selecionada pela prestigiada Kellogg School of Management, uma das principais escolas de Administração dos Estados Unidos, localizada em Evanston, Illinois, para um MBA em Negócios, que durou um ano. 

De volta ao Brasil, Cristina foi entrevistada pelo presidente do Unibanco, Pedro Moreira Salles, para uma vaga no grupo. À época, o empresário estava selecionando brasileiros recém-saídos de MBAs nos Estados Unidos e o timing foi perfeito para a paulista que,  inusitadamente, escolheu trabalhar em uma área de pouca visibilidade e que dava resultados ruins todos os anos, a de seguros para pequenas e médias empresas. 

Dessa forma, aos 24 anos, assumiu um cargo de liderança no setor, como Superintendente de Negócios, e passou a liderar um time de 20 pessoas em que o mais jovem era mais velho que ela. 

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O nascimento da fintech

A entrada como liderança em um banco tradicional no Brasil foi uma espécie de gênese da criação do seu mais famoso negócio. Sob o comando de Cristina Junqueira, os números do setor de crédito para pequenas e médias empresas viraram em apenas um ano e ela chegou a subir alguns degraus na estrutura interna da instituição financeira. 

No entanto, ao ser convidada para desenvolver um projeto na área de cartões, o banco não recebeu muito bem suas ideias, inovadoras para um lugar tão tradicional, mas perfeitas para uma startup que começou com o mote de oferecer cartão de crédito sem taxas e com comunicação direta com seus clientes. 

Cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira foi procurada por David Vélez para abrir uma fintech e ouviu de diversas pessoas que a ideia que eles tinham em mente não pararia em pé. O colombiano, naquela altura, havia tido uma experiência ruim com um banco brasileiro e chamou Cristina para pensar em um negócio que atacasse o sistema bancário brasileiro no que ele tinha de pior: taxas abusivas e péssimo atendimento. 

Hoje, o Nubank de Cristina Junqueira é conhecido, justamente, por conseguir se conectar diretamente com seus clientes. Dos mais de 1.500 funcionários do prédio localizado na esquina da Rua Capote Valente com a Avenida Rebouças, em São Paulo, metade trabalha diretamente com atendimento aos usuários, resolvendo problemas triviais (ou não) com soluções criativas. Já ficaram famosos nas redes sociais os mimos (sempre roxos, cor da fintech) dados pela equipe do Nubank a clientes. “Esse é nosso melhor marketing”, como costuma dizer a VP do Nubank, Cristina Junqueira. 

A empreendedora, mulher, mãe e VP do Nubank Cristina Junqueira

Consolidada como uma das principais lideranças femininas no Brasil, em uma área que é praticamente comandada somente por homens, Cristina Junqueira sabe da sua responsabilidade em inspirar outras mulheres. Mas sua trajetória para chegar ao posto que assume, hoje, não foi nada tranquila.

A empresária costuma contar que sua filha, Alice, é gêmea do Nubank. Ambos nasceram na mesma época, o que a fez dividir as tarefas da maternidade com a estruturação de um negócio próprio. Em uma entrevista ao Estadão, a VP do Nubank conta que entrou em trabalho de parto em uma reunião com os sócios e que, na maternidade, entre uma contração e outra, respondia mensagens dos primeiros clientes. Sua licença-maternidade durou cinco dias corridos.

Hoje, a Nubank de Cristina Junqueira é uma das maiores fintechs do Brasil, que diversificou seu negócio ao longo do tempo. De aplicativo para cartão de crédito sem taxa para instituição financeira com direito a uma conta, também sem taxa, e expansão dos serviços para outros países da América Latina, como o México.

Se você quer saber mais sobre a história de Cristina Junqueira, ela costuma disponibilizar bons artigos em seu perfil no LinkedIn e mantém atualizada sua conta no Twitter.

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Fonte da imagem: Facebook

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