Na última década, vimos o surgimento do blockchain e das criptomoedas. O Bitcoin, a mais popular entre elas, serviu de base para a criação de diversas outras moedas digitais. Hoje em dia, elas também fazem parte da carteira de investidores entusiastas dessa revolução monetária digital. 

O Ethereum está entre as principais criptomoedas, logo atrás do Bitcoin. Neste artigo, iremos explicar um pouco da história do Ethereum, como funciona seu sistema e como você pode investir neste ativo. 

O que é Ethereum?

Apesar de conhecermos o Ethereum como a criptomoeda, na realidade Ethereum é o nome de uma plataforma descentralizada criada em 2013 pelo programador russo Vitalik Buterin. A plataforma utiliza como base a tecnologia do blockchain, e tem sua própria moeda digital, o Ether, de sigla ETH, comumente chamada também de Ethereum.

Plataforma aberta

A plataforma do Ethereum é um projeto de código aberto, de modo que possa ser utilizada para a criação de aplicações descentralizadas, que contam com toda a segurança e sistema anti-fraude do blockchain. 

O objetivo do Ethereum, então, é ir além do sistema financeiro. A ideia é que a plataforma seja utilizada por diferentes pessoas, empresas e instituições para facilitar qualquer atividade que possa ser programada, substituindo o trabalho humano por computadores que processam cálculos complexos. 

Entre essas atividades, podemos citar, como exemplo, votações, registros de documentos, apólices de seguro e campanhas de crowdfunding, além das transferências monetárias.

Contratos inteligentes

O principal componente dessa plataforma é o smart contract, que são contratos digitais que utilizam tecnologia para confirmar que as duas partes cumprem de acordo com o combinado. 

Isto significa que fatores contratuais como as cláusulas, especificações, regras e consequências são programados a partir do blockchain, e, quando o acordo é fechado, as máquinas conferem se tudo foi cumprido corretamente e executam o acordo. Esses contratos são também imutáveis, evitando fraudes e adulterações.

A vantagem dos contratos inteligentes é automatizar processos que são ainda bastante burocráticos, eliminando também custos de cartórios e mão-de-obra. Como são os códigos de computadores que executam o contrato, não é necessária a confiança entre as partes, nem o envolvimento de terceiros para tal. 

Criptomoeda

A alimentação do sistema da plataforma Ethereum se dá pela criptomoeda Ether, a qual também podemos chamar de Ethereum. Ela é utilizada para pagar os mineradores, ou seja, os computadores participantes da rede que trabalham processando as validações. 

Quando a plataforma foi lançada, já foram pré-mineradas milhões de moedas. E mais moedas vêm sendo mineradas desde então, ao passo que cada vez mais usuários utilizam esta tecnologia para solucionar problemas do cotidiano a partir da criação de aplicações descentralizadas. 

Desde que entrou em circulação, foi no ano de 2017 que a moeda apresentou a alta em sua cotação. O valor do Ethereum (ETH) hoje é um dos maiores do mercado. É também a segunda maior criptomoeda em capitalização, perdendo apenas para o Bitcoin. Por esse motivo, é uma moeda muito visada para a diversificação da carteira de investimentos. 

Criptomoedas: Bitcoin x Ethereum

Alguns consideram o Ethereum como uma evolução do Bitcoin, por apresentar certas melhorias técnicas. Assim como o Bitcoin, o Ethereum também tem como base o blockchain, porém tratam-se de blockchains diferentes. 

Existem algumas diferenças entre Bitcoin e Ethereum, inclusive em relação ao próprio objetivo no desenvolvimento dos projetos. O Bitcoin buscou revolucionar a forma com que o mundo lida com dinheiro, enquanto o Ethereum veio com a proposta de ser utilizado em diversos setores, oferecendo sua computação descentralizada. 

No que diz respeito ao tempo de transação das criptomoedas, o Bitcoin leva cerca de 10 minutos, enquanto o Ethereum apenas 20 segundos. Outra diferença está no limite: o Bitcoin possui um limite de 21 milhões de unidades. Quando chegar nessa quantidade, não serão criadas novas moedas de Bitcoin. Já o Ethereum não tem esse limite. 

Ambas as plataformas apresentam o processo de mineração, porém, no caso do Bitcoin, a remuneração aos mineradores se dá por prova de trabalho, o que significa que o dispositivo precisa provar seu trabalho para chegar ao resultado, enquanto no Ethereum a recompensa é por prova de participação, na qual o minerador precisa ter uma quantidade de moedas separadas para provar sua participação. 

Como comprar a Criptomeda Ethereum no Brasil?

O Ethereum já está disponível para a compra nas exchanges brasileiras, que são as plataformas digitais para negociação de criptomoedas. Tais plataformas unem compradores com vendedores, facilitando e garantindo mais segurança a esse processo de transferência. 

Para comprar Ethereum e outras criptomoedas, é necessário fazer um depósito em dinheiro na conta da corretora. A partir disso, você pode utilizar esse saldo para comprar a quantidade desejada de Ethereum. 

Normalmente existe um valor mínimo para a compra de moedas digitais, que costuma variar de R$25 a R$50 entre as corretoras, sendo considerado um valor acessível para investimentos. As taxas de saque também podem variar. 

É importante escolher a plataforma com cautela, dando preferência a corretoras confiáveis e já estabelecidas no mercado, visto que suas criptomoedas compradas estarão sob responsabilidade dela. Uma dica de segurança é também transferir e guardar a maior parte da reserva em uma carteira Ethereum.

Como escolher a carteira Ethereum?

As carteiras de criptomoedas são softwares ou hardwares onde você pode armazenar suas moedas, sendo de extrema importância tomar muito cuidado com a segurança dos seus ativos. 

Assim como existem roubos relacionados às moedas fiduciárias, as criptomoedas também são visadas, neste caso por criminosos cibernéticos. 

Como as criptomoedas são digitais, não estamos falando de uma carteira em que moedas físicas são de fato guardadas. Na realidade, o que se guarda na carteira digital são os registros no blockchain: as chaves de acesso públicas e privadas. 

As chaves públicas são os endereços utilizados para receber depósitos, enquanto as chaves privadas são as que você utiliza para fazer transferências. O que a carteira faz é interagir com o sistema do  blockchain para permitir as transações desejadas.

Existem dois tipos de carteira: hot wallet e cold wallet. As hot wallets são programas de computador ou aplicativos de celular conectados à internet, de modo que suas operações são mais rápidas e fáceis, e você pode acessar suas moedas Ethereum a qualquer momento. 

Alguns serviços podem ser apenas acessados pelo seu computador enquanto outros estão em servidores de terceiros, o que é menos seguro. 

Algumas pessoas costumam deixar uma quantidade de Ethereum na hot wallet para as transações habituais, como compras, pagamentos de contas ou trades. Já as cold wallets funcionam como poupanças, onde guardam-se grandes quantidades de Ethereum. 

Esse tipo de carteira apresenta maior segurança, visto que não é conectada à internet, de modo que não é possível hackeá-la. A cold wallet é, na realidade, uma carteira física, um dispositivo como se fosse um pen-drive ou HD externo, conectado via USB.

De modo geral, podemos considerar que a hot wallet traz mais praticidade, enquanto a cold wallet traz mais segurança. Dessa forma, a indicação para proteger suas moedas digitais é ter os dois tipos de carteira. 

Em relação à escolha das empresas, assim como as corretoras de criptomoedas, também é importante identificar empresas confiáveis de carteiras Ethereum. 

Sua escolha poderá depender também de alguns fatores relacionados aos seus objetivos e ao seu nível de conhecimento, como, por exemplo, interface, atendimento, segurança e até mesmo se você pode ou não arcar com serviços pagos de carteiras.

Para citar alguns exemplos, a MyEtherWallet é uma carteira online instalada no seu computador. 

Existe também a MetaMask, uma carteira web que funciona como uma extensão do navegador, o que significa que suas moedas estarão armazenadas em um servidor terceiro. 

Pode ser uma opção prática para armazenar valores pequenos. Já a Jaxx é um software gratuito disponível para Windows, MAC, Android e iOS, e que também aceita diversas outras criptomoedas. Em relação ao armazenamento offline, uma opção é a Trezor, entretanto, vale lembrar que esse tipo de carteira é paga.

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