A tecnologia vem agindo no setor financeiro há bastante mais tempo do que nós costumamos ter consciência. Já na década de 1950, os cartões de crédito tornaram possível não usar o dinheiro físico. Mas, nos últimos cinco anos, essa evolução deu um salto que está mudando o paradigma do sistema financeiro. O ecossistema de fintechs é um meio em ampla expansão em todo o mundo, e em particular na América Latina e no Brasil.

Esse crescimento se deve, principalmente, à lacuna deixada pelo sistema financeiro tradicional em mercados menos desenvolvidos. De acordo com um panorama histórico da tecnologia nas finanças feito pela Forbes, nos países desenvolvidos 89% da população tem pelo menos uma conta em banco.

Nos países em desenvolvimento, como os da África, Ásia, esse número cai para 41%. Ou seja, mais da metade da população desses países ainda recebe em dinheiro, paga tudo em dinheiro e guarda suas economias — pasme! — em dinheiro.

A chegada das fintechs ao mercado atende uma boa parte dessas pessoas, mas também oferece soluções para outros usuários que estão subatendidos pelo sistema tradicional. Esses novos modelos de negócio são o futuro, mas já fazem parte do presente do mundo financeiro. Quem quer manter-se atualizado nesse setor, precisa conhecer bem como anda o panorama das fintechs.

Ecossistema fintech no mundo

O boom das fintechs foi causado ainda na primeira década do século XXI em consequência da crise financeira mundial de 2008. Depois da crise, os bancos tiveram que lidar com novas regulamentações e multas por falta de compliance. Isso os forçou a prestar mais atenção ao back end, além de ter comprometido os investimentos. O resultado foi pacotes de serviços menos atraentes e com taxas altas.

No lado do atendimento ao cliente, os funcionários dos bancos, insatisfeitos com a situação do setor, começaram a migrar para as startups. Esse cenário complexo abriu a oportunidade para novas empresas menores entrarem no mercado com modelos de negócio mais modernos e, ainda, pensando em uma população que não estava bem atendida pelo sistema financeiro.

É difícil contabilizar o número exato de startups financeiras no mundo, porque não seria exagero dizer que todos os dias surge uma nova fintech em algum lugar. Mas um relatório da empresa de capacitação de profissionais EY publicado em 2018 conseguiu traçar um panorama interessante do setor. Veja alguns dados:

  • existem 26 hubs de fintechs em mercados emergentes;
  • os 26 hubs estão divididos em seis clusters;
  • 34 empresas já alcançaram o status de unicórnios, e a maioria delas está nos EUA.

Os hubs estão distribuídos pelo mundo assim:

ecossistema fintech
Fonte: Fintech ecosystem playbook / EY

O documento identificou também alguns pilares que fazem parte do ecossistema fintech pelo mundo:

  • demanda sustentada;
  • acesso a capital;
  • disponibilidade de talentos;
  • abertura das regulamentações;
  • ambiente propício.

Com esse efervescência em ação, os órgãos oficiais precisaram se movimentar para regulamentar o mercado. Por isso, em agosto de 2018 foi criada a Global Financial Innovation Network (GFIN). A iniciativa foi da UK Financial Conduct Authority, em parceria com 11 instituições reguladoras do mercado e outras relacionadas.

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Ecossistema fintech na América Latina

A América Latina é um dos clusters de fintechs que estão em maior desenvolvimento no mundo, com cerca de 1.034 startups financeiras em funcionamento em 2018. Dessas, 41% atendem pessoas desbancarizadas ou mal servidas pelo sistema financeiro tradicional.

O subcontinente tem uma população estimada de 553 milhões de pessoas. Dessas, impressionantes 80% moram em zonas urbanas. A penetração da internet móvel na Latam é de 55% — 15% a mais do que nas demais regiões em desenvolvimento.

Isto explica em parte porque as fintechs têm uma aceitação tão boa nos países latino-americanos: com acesso à internet móvel, as pessoas conseguem acessar e utilizar as plataformas e os apps das financeiras tecnológicas.

Entre todos os países da Latam, o Brasil e o México despontam como os principais players nesse mercado. Sozinhos, eles correspondem a 58% de participação no ecossistema fintech latino-americano.

ecossistema fintech
Fonte: Fintech ecosystem playbook / EY

O maior número de fintechs na América Latina são as de pagamentos e remessas (26%), seguidas das empresas de crédito (17%).

Em termos de regulamentação, o subcontinente ainda não tem um órgão ou uma associação unificada para as fintechs. A Finnovista é uma entidade de referência no setor e oferece apoio e aceleração para financeiras tecnológicas na América Latina e na Espanha.

Ecossistema fintech no Brasil

O Brasil é um dos maiores players no ecossistema de fintechs. Com mais de 400 startups financeiras, o país mostra-se um importante mercado não só na América Latina, mas em todo o mundo.

ecossitema fintech
Fonte: Radar Fintech 2018 / FintechLab

A evolução no cenário brasileiro tem sido impressionantemente rápida. Em novembro de 2017, o Radar FintechLab registrava 332 empresas. Um ano depois, esse número já havia saltado para 404 — um aumento de 21,6%.

No Brasil, os bancos têm colaborado com as fintechs por meio de investimentos, parcerias e incubação. Isso indica que o sistema financeiro tradicional reconhece a importância das fintechs no mercado e já identificou que o melhor caminho é unir-se a elas para não cair em uma provável obsolescência.

Assim como no restante da América Latina, são as empresas de pagamentos as mais numerosas por aqui. Pagseguro, Wirecard, Iugu e PicPay são grandes nomes desse segmento. O segundo lugar fica com as fintechs de gestão empresarial, tendo a Gyra+ como um dos maiores exemplos.

Em terceiro estão as fintechs de crédito, que operam tanto atendendo ao consumidor pessoa física como a pequenas e médias empresas em busca de recursos para investimentos. No Brasil, o GuiaBolso é um exemplo de empréstimo para pessoas físicas com taxas que costumam ser mais vantajosas que as dos bancos.

Em 2018, a legislação brasileira deu um passo à frente no que diz respeito às fintechs. Em uma resolução, o Banco Central garantiu autonomia para as plataformas de crédito, que antes eram obrigadas a operar em parceria com uma financeira tradicional. O BC inaugurou duas novas modalidades de crédito, que são o P2P — peer-to-peer, ou seja, de pessoa para pessoa — e o crédito direto para fintechs.

Mais do que empresas de sucesso, as fintechs têm conseguido de fato mudar a realidade de milhões de pessoas, principalmente nas regiões em desenvolvimento. O ecossistema de fintechs pelo mundo tem incluído no sistema financeiro quem nunca pôde contar com esses serviços. Além disso, pessoas que já tinham contas em banco estão encontrando novas soluções que lhes permitem atingir novas metas profissionais e pessoais, como morar e trabalhar em países diferentes. O potencial é enorme, e a tendência é esse ecossistema ficar mais rico e diversificado a cada ano.

Gostou do nosso panorama sobre as fintechs pelo mundo? Então você vai gostar de ler também sobre as possibilidades de investir em fintechs. Leia o post e descubra como ganhar dinheiro com essas startups!

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